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Mulheres têm melhor comportamento no trânsito e se acidentam menos

 

Prudência, paciência e respeito com as leis e com os outros motoristas são os diferenciais

Scheilla Lisboa

Portal Auto Mulher

scheilla@portalautomulher.com.br

As frases preconceituosas “tinha que ser mulher” e “mulher no volante, perigo constante” nunca foram tão mentirosas. O que muitos ainda demoram a aceitar é que as mulheres têm melhor comportamento no trânsito. Prudência, paciência, respeito com as leis e com os outros motoristas e menos agressividade são as principais características que as fazem ser referências no volante. “Se todos dirigissem como as mulheres, teríamos cerca de 80% menos acidentes de trânsito”, afirma David Duarte, especialista em segurança do trânsito, presidente do IST – Instituto de Segurança no Trânsito – e professor da UnB.

Contra fatos não há argumentos e, neste caso, ainda há os números que comprovam. De acordo com o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa do Governo de São Paulo responsável pela gestão do Infosiga SP, apenas uma em cada cinco vítimas são mulheres. O levantamento refere-se ao primeiro trimestre de 2018 e tem como base os 1206 acidentes fatais que aconteceram nos 645 municípios do estado de São Paulo.

Ao passo que 93,1% dos condutores vítimas de acidentes são do sexo masculino, entre as mulheres esse índice é de apenas 6,4%. A dúvida que fica é: a quantidade de homens que dirigem não é muito maior que a de mulheres, o que justifica essa superdiferença?

Não é bem assim. De acordo com dados do Detran SP, o Estado de SP tem 23.555.221 condutores registrados; destes, 14.772.559 (62,71%) são do sexo masculino e 8.782.662 (37,28%) do sexo feminino. Vale ressaltar que esse número não significa que esses documentos estão dentro da validade ou que os condutores estão dirigindo atualmente, ele reflete total de pessoas que se registraram para habilitação em São Paulo. Porém, já permite a comparação.

O principal tipo de acidente que vitima as mulheres são os atropelamentos, que correspondem a 40% das fatalidades nesse grupo.

Os dados do Boletim estatístico da Seguradora Líder- DPVAT apontam para o mesmo caminho. No primeiro trimestre de 2018, foram pagas 87.508 indenizações pelo Seguro DPVAT. A maior incidência de indenizações pagas foi para vítimas do sexo masculino (75%), três vezes mais que para mulheres, mantendo o mesmo comportamento dos anos anteriores.

“De forma geral as mulheres se comportam melhor, porque têm menos testosterona. E, testosterona e álcool são venenos no trânsito. Elas dirigem com muito mais calma, cuidado e evitam conflitos”, explica o professor. “A direção agressiva e exibicionista – que sai cantando pneu, faz manobras arriscadas, ultrapassagens perigosas, alta velocidade ameaçando pedestres e outros que estão na pista – é quase que exclusiva dos homens, cerca de 95%. Mulher raramente faz isso, não fecha, não sai costurando e não agride, isso é mais masculino”, completa.

Outra aspecto do perfil feminino é a menor predisposição a assumir riscos. “Mulheres são mais cautelosas, o que não quer dizer que sejam menos audazes. Mas elas tendem a considerar sempre as situações de risco e antever possíveis problemas no trajeto”, considera Silvia Lisboa, coordenadora do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito. Na maioria dos casos, vítimas do sexo feminino são pedestres ou passageiras, em pouquíssimos casos conduzem veículos em acidentes fatais.

A agressividade e a prática de infrações estão diretamente relacionadas ao aumento de risco de acidentes de trânsito. “Basta ver a diferença de reação diante de uma ‘fechada’ ou acidentes. O homem sente-se agredido e tende a revidar. Já a mulher pode até reclamar, mas traz para si a responsabilidade e assume o dano”, comenta a coordenadora. “O homem tem o veículo com uma extensão de seu corpo e há até relação com sua virilidade. Em um acidente, o homem tem uma reação agressiva, como se o outro veículo tivesse atingido ao seu próprio corpo, por isso discute e até vai ás vias de fato. Já a mulher vê o veículo com um meio de transporte apenas e tende a se colocar no lugar do próximo e a buscar o consenso”, completa.

Duarte endossa. “O homem tem uma relação com o carro muito interessante: só de desenvolver 150 cavalos com um simples toque no acelerador, por exemplo, isso já mexe com a cabeça dele. Entra no carro e acha que é o rei, se reveste com a potência do carro e passa a ser agressivo”.

Toda essa cautela do público feminino além de preservar a vida, ainda beneficia o bolso na hora da contratação de um seguro para o carro. E não deixa de ser mais uma indicação que o comportamento das mulheres é um exemplo a ser seguido. “Mulher é mais atenciosa, dirige mais devagar, enquanto os homens aceleram mais e são mais impacientes e é aí onde ocorrem mais acidentes. O maior índice de sinistro de colisão é de homens”, explica Flávio Gutierrez, sócio da Flamy Corretora de Seguros. “Por conta dessas atitudes, dependendo do perfil da mulher, o seguro fica um pouco mais barato do que se fosse para um homem”.

Mesmo com ótimo desempenho no trânsito, as mulheres ainda devem se policiar. “Em geral, cometem dois tipos de erros: por uma série de razões, como para não serem paqueradas, elas olham menos para as laterais. Outro erro, bastante comum, é a questão das distrações: mexe muito nas coisas, se maquia e quando tem criança, divide a atenção com elas, vigiando”, alerta Duarte.

O levantamento do Infosiga SP aponta que o comportamento de condutores e pedestres é o maior fator de risco. Em 94% dos acidentes fatais, a falha humana é a principal causa. Uma das dicas do professor para um condução segura é ser previsível para os outros. “Dar seta, sinalizar o que vai fazer. No Brasil e em outros países também, muitos não sinalizam suas intenções, aí você vai atrás de um veículo e de repente ele freia bruscamente ou vira de forma repentina”. Outra sugestão é ser gentil e respeitar os outros. “Formigas não têm congestionamento porque elas colaboram entre si. Se todos colaborassem, cedessem a passagem, o trânsito melhoraria do ponto de vista de humanização e também diminuiria o congestionamento”, exemplifica.

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