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Veículos são os maiores causadores de poluição do ar em centros urbanos

Investimento em transporte público de qualidade e incentivo ao uso de bicicletas podem ajudar

No Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho – um alerta sobre a poluição do ar que está diretamente ligada aos meios de transporte. Para o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) o tema no Brasil é um desafio. As principais fontes de emissão de poluentes nas regiões metropolitanas são os carros, ônibus, caminhões e motos. Um agravante é que os brasileiros não sabem o que respiram, já que menos da metade das unidades da  federação têm alguma informação sobre a qualidade do ar.

Sete poluentes são regulados, hoje, no país pelos danos à saúde, assim, devem ser acompanhados pelo poder público: fumaça, partículas totais em suspensão (PTS), partículas inaláveis (MP10), partículas inaláveis finas (MP2,5), dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO) e ozônio (O3).

Os governos estaduais e distritais são responsáveis pelo monitoramneto da qualidade do ar e, das 27 unidades da federação, é realizado apenas pelo: Distrito Federal, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Sergipe –  porém,  não há informação sobre a continuidade do monitoramento realizado pelos dois últimos estados. Vale ressaltar que as maiores redes de monitoramento se concentram na Região Sudeste do país, e as regiões metropolitanas dos demais estados que teem monitoramento não aparentam ter uma cobertura adequada para acompanhamento da qualidade do ar.

A falta de conhecimento sobre as fontes poluidoras também é outro desafio. Os dados sobre quais são as fontes, os poluentes e suas quantidades emitidas; quando essas emissões ocorrem são informações essenciais para qualquer medida de gestão do problema de poluição. Esses dados são compilados e apresentados em Inventários de Fontes Poluidoras do Ar, contudo há pouca informação disponibilizada.

Para as emissões veiculares, medidas com foco na melhoria de tecnologias e na promoção do uso de combustíveis mais limpos têm sido tomadas por meio do Programa de Controle de Emissões Veiculares (PROCONVE).

Dividido em etapas, o programa foi desenhado em 1986 e até hoje tem suas fases atualizadas pelo CONAMA. Em lugares em que o monitoramento da qualidade do ar é suficiente para acompanhar medidas para redução de poluentes, como é o caso da cidade de São Paulo, a diminuição de alguns poluentes, tais como CO e NO2, está associada às melhorias trazidas pelo PROCONVE.

Porém, a queda na concentração de alguns poluentes não é notada, como no caso do material particulado e do ozônio. O material particulado é emitido pelo processo de queima dos combustíveis, também pelo desgaste dos componentes do carro como pneus e freios e da própria pista, além de sofrer processos na atmosfera que alteram a composição química. Já o ozônio se forma por meio de reações químicas de outros poluentes lançados na atmosfera na presença da luz do sol.

Os efeitos à saúde dos chamados poluentes atmosféricos estão relacionados ao agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas, especialmente em crianças e idosos. Estudos indicam a correlação entre a exposição a alguns poluentes e a ocorrência de diferentes tipos de câncer.

A poluição atmosférica também afeta os ecossistemas. A deposição dos poluentes nas plantas pode levar à redução da sua capacidade de fotossíntese provocando, por exemplo, queda da produtividade agrícola. A acidificação das águas da chuva e a contaminação dos recursos hídricos, dos biomas aquáticos e do solo também são consequências.

Uma das maneiras de se combater a poluição do ar é investindo em transporte público de qualidade, eficiente e que use combustíveis mais limpos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em 2013 foram implementadas faixas exclusivas de ônibus que permitiram que estes trafegassem a maiores velocidades. Assim, o tempo de viagem foi reduzido e os poluentes originados da emissão veicular também. Isso porque velocidades médias mais elevadas fazem com que os veículos consumam menos combustível e emitam menos poluentes. Reduzir o uso de automóveis e promover e usar o transporte ativo como praticar a caminhada, andar de bicicleta ou patinete também são maneiras de se evitar a poluição do ar.

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